Junho reforça a importância da saúde mental masculina e alerta para o impacto do silêncio entre os homens
Especialista destaca que buscar ajuda psicológica é um ato de coragem e pode salvar vidas
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Durante o mês de junho, diversas campanhas chamam a atenção para um tema que ainda enfrenta preconceitos e barreiras culturais: a saúde mental masculina. A conscientização busca incentivar homens de todas as idades a reconhecerem seus sentimentos, falarem sobre suas dificuldades emocionais e procurarem ajuda profissional quando necessário.
Embora os avanços na discussão sobre saúde mental sejam significativos, especialistas alertam que muitos homens ainda carregam a crença de que demonstrar vulnerabilidade é sinal de fraqueza. Como consequência, milhares enfrentam, em silêncio, problemas como ansiedade, depressão, estresse, síndrome de burnout e outros transtornos psicológicos.
Segundo o psicólogo Janilton Brito (CRP 09/20395), romper esse padrão cultural é um dos maiores desafios da atualidade.
“Durante muitos anos, o homem foi ensinado que precisava ser forte o tempo todo, esconder suas emoções e resolver tudo sozinho. Esse modelo tem produzido sofrimento emocional, dificuldades nos relacionamentos e um aumento preocupante dos transtornos mentais. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza; é uma demonstração de maturidade e responsabilidade consigo mesmo.“
O peso das emoções reprimidas
A rotina intensa de trabalho, as responsabilidades familiares, as cobranças financeiras e a pressão para manter uma imagem de força podem gerar um desgaste psicológico significativo.
De acordo com Janilton Brito, quando esses sentimentos não encontram espaço para serem expressos, costumam aparecer por meio de outros comportamentos.
“Muitos homens não verbalizam tristeza ou ansiedade. Em vez disso, apresentam irritabilidade constante, explosões de raiva, isolamento social, dificuldade para dormir, excesso de trabalho ou até o uso abusivo de álcool e outras substâncias como forma de aliviar a dor emocional.”
O especialista ressalta que esses sinais costumam ser ignorados pela própria pessoa e até mesmo pelos familiares, atrasando a busca por tratamento.
A importância da prevenção
Os especialistas reforçam que cuidar da saúde mental não significa apenas tratar doenças, mas desenvolver hábitos que favoreçam o equilíbrio emocional.
Entre as principais recomendações estão:
- Manter uma rotina de sono adequada;
- Praticar atividades físicas regularmente;
- Construir relacionamentos saudáveis;
- Reduzir o excesso de estresse;
- Reservar momentos de lazer;
- Desenvolver inteligência emocional;
- Buscar acompanhamento psicológico sempre que necessário.
Segundo Janilton Brito, a prevenção continua sendo o melhor caminho.
“Assim como fazemos exames para cuidar do coração ou da saúde física, também precisamos cuidar da mente. A psicoterapia oferece um espaço seguro para compreender emoções, fortalecer recursos internos e enfrentar os desafios da vida com mais equilíbrio.”
Quebrando o preconceito
Apesar do crescimento das campanhas de conscientização, o preconceito ainda impede muitos homens de procurar atendimento psicológico.
Para o psicólogo, é fundamental transformar a cultura que associa masculinidade à ausência de emoções.
“O verdadeiro homem não é aquele que suporta tudo sozinho. É aquele que reconhece seus limites, cuida da própria saúde e entende que pedir ajuda é uma atitude de coragem.”
Um compromisso com a vida
O mês de conscientização sobre a saúde mental masculina representa mais do que uma campanha informativa. Trata-se de um convite para que homens, familiares, empresas, igrejas e toda a sociedade promovam ambientes onde o diálogo sobre emoções seja acolhido sem julgamentos.
Falar sobre saúde mental é incentivar qualidade de vida, fortalecer vínculos familiares, prevenir o agravamento do sofrimento psíquico e promover uma sociedade mais saudável.
Como destaca o psicólogo Janilton Brito:
“Nenhum homem precisa enfrentar suas dores sozinho. Cuidar da saúde mental é investir na própria vida, na família e no futuro.”
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Reportagem Especial | Saúde
Fonte: Entrevista com Janilton Brito – Psicólogo (CRP 09/20395), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental Contemporânea e Neuropsicologia.